Grupo Dançando com a Diferença

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Goiânia, 17 de junho de 2018. Após seis meses de trabalho, com escolas e instituições goianas voltadas para pessoas com deficiência, estreia em Goiânia a remontagem do espetáculo português ENDLESS, reunindo um elenco de aproximadamente 60 dançarinos goianos (com e sem deficiência) e 7 intérpretes do grupo português Dançando com a Diferença (da Madeira e de do Núcleo Viseu / Portugal). As apresentações ocorrem dias 19 e 20 de junho, no Teatro do ITEGO Basileu França (Av. Universitária, 1750, St. Universitário). A entrada é gratuita.

O coreógrafo brasileiro, que reside há anos em Portugal, Henrique Amoedo esteve em Goiânia no mês de janeiro, para iniciar esse processo de criação e remontagem. Veio ao Brasil para, junto da coordenadora brasileira do projeto, Marlini Dorneles de Lima, formar os núcleos de ensaio, que a partir daí seriam acompanhados por ela, pessoalmente, e por Amoedo, à distância. Agora em junho o criador volta ao Brasil para dirigir a fase de finalização do projeto, com a estreia da primeira remontagem brasileira desse trabalho de Dança Inclusiva.

O coreógrafo Henrique Amoedo, que também é criador dos grupos de dança contemporânea Roda Viva Cia de Dança (do Rio Grande do Norte), Cia. Experimental – Grupo Mão na Roda (de Diadema-SP) e há 17 anos criou o grupo Dançando com a Diferença (da Madeira / Portugal). Atualmente também há em funcionamento o Dançando com a Diferença – Viseu, naquela cidade do centro do país, numa parceria com o Teatro Viriato e o Conselho Local de Ação Social.

Amoedo trabalha com Dança Inclusiva há mais de 20 anos, tendo criado este conceito que defendeu na sua dissertação de mestrado no ano de 2002. Protagoniza esse projeto, o Dançando com a Diferença, de formação e criação artística, com foco na participação de pessoas com deficiência. O Projeto “Dançando com a Diferença: Arte, Inclusão e Comunidade”, desenvolvido no Brasil, conta com recursos do Fundo de Arte e Cultura do Estado de Goiás e está vinculado à Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal de Goiás.

O trabalho de encontros, workshops, estudos e remontagem da obra, com mão de obra goiana, têm acontecido em Goiânia desde o mês de janeiro, e reuniu instituições como: Centro Brasileiro de Reabilitação e Apoio ao Deficiente Visual (CEBRAV); Associação dos Surdos de Goiânia – Centro Especial Elysio Campos; APAE Goiânia; Curso de Dança da Universidade Federal de Goiás – UFG; Associação PESTALOZZI de Goiânia.

Familiares que se unem pela arte

Segundo a coordenadora do projeto em Goiânia, Marlini Dorneles de Lima, o processo de remontagem do ENDLESS que começou no início deste ano, está sendo muito intenso, com muita aprendizagem e com muito apoio das famílias e das instituições que trabalham com pessoas com deficiência. No total, a equipe é formada por cerca de 60 pessoas, incluindo músicos e artistas de Goiânia e os 7 bailarinos portugueses, que vieram ao Brasil, especialmente para este projeto. Neste processo, Marlini destaca a participação e pais e familiares dos dançarinos com deficiência, sobre isso ela comenta: “Se antes as mães e pais destas pessoas ficavam na plateia apenas assistindo o desenvolvimento de seus filhos e filhas, agora eles e elas também são protagonistas, e estão no palco, como parceiros que são na vida.”.

ENDLESS – Sem fim

Impulsionado no Brasil por Marlini Dorneles de Lima esta iniciativa foi capaz de reunir instituições dos dois lados do Atlântico para que ENDLESS pudesse ser trazido ao Brasil. Trata-se de um espetáculo onde a dança, a música e o vídeo interagem questionando a condição humana. A obra criada em 2012 por Henrique Amoedo tem o seu principal foco no Holocausto, vivido durante II Guerra Mundial, não com uma perspetiva ou abordagem histórica, mas como uma obra artística que alerta para a importância de rever o passado, fazer as suas ligações com o presente, para que – se possível – se tenha um olhar atento para o que queremos para o nosso futuro.

Ainda segundo Marlini, o espetáculo ENDLESS veio para reforçar a possibilidade de se fazer Dança Inclusiva, sem perder de vista a proposta estética e poética da criação. A tradução de ENDLESS é “Sem fim”, e o nome remete às lutas diárias das pessoas com deficiência ou aquelas consideradas diferentes em nossa sociedade. A criação volta à Segunda Guerra Mundial, quando milhares de pessoas “diferentes” foram exterminadas. Então o trabalho fala da busca pela igualdade de direitos, fala de representatividade, de liberdade e de autonomia. E o espetáculo faz isso não só como representação, mas como prática.

Sobre o processo de criação, Marlini comenta: “Eu ouso dizer que em nenhum outro projeto de Goiânia nós conseguimos contemplar tanta diversidade no palco, com um objetivo artístico. Porque este é um projeto que perpassa o educacional, o terapêutico, mas seu fim é artístico. Então o que a gente vai mostrar no palco são 60 pessoas com uma diversidade muito grande. Mostrando que dá certo. Que tem ali um trabalho criativo importante e representativo. E saber que essa é a primeira remontagem desse trabalho, que já circulou por toda a Europa, é algo de muita responsabilidade. O que nos deixa extremamente orgulhosos.”

Para Amoedo é importante a longevidade das obras. Saber que um trabalho que começou a ser criado em 2010 e que teve a sua estreia em 2012 ainda é, até hoje, capaz de despertar o interesse de diferentes públicos é uma alegria. ENDLESS trata de questões difíceis para a humanidade e se conseguirmos através deste trabalho ampliar a conscientização para a paz e os direitos humanos, temos um importante trabalho feito.

Acessibilidade também para a plateia

Além do espetáculo ENDLESS ter em seu corpo de baile os dançarinos com deficiências, é importante ressaltar que as formas de acessibilidade para o público também estão previstas. Existe um núcleo de acessibilidade do projeto, formado por pesquisadores goianos, cujo trabalho está sendo justamente o de criar estratégias para dar ao público o mais amplo e irrestrito acesso, independente de sua condição física. Portanto, o público também irá contar com elementos de tradução para sua visibilidade, audição e entendimento.

Segundo Henrique Amoedo: “As apresentações contarão com diferentes meios facilitadores da acessibilidade. Programa do espetáculo e outros documentos em braile, textos impressos em versão ampliadas, áudio-descrição e tradução em Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS) fazem parte das diferentes estratégias elaboradas pela equipe brasileira, com supervisão dos Dançando com a Diferença e apoio do Núcleo de Acessibilidade da Universidade Federal de Goiás, para que diferentes públicos possam ter acesso pleno a esta criação.”

Sobre o Dançando com a Diferença

Surgido em 2001 na Região Autónoma da Madeira o Dançando com a Diferença tem-se destacado internacionalmente, nos seus 17 anos de atividade, pela promoção e aplicação e disseminação do conceito de Dança Inclusiva. Sob a Direção Artística de Henrique Amoedo, criador do referido conceito em sua dissertação de mestrado no ano de 2002, o grupo tem sido pioneiro nos palcos portugueses e desempenha um papel significativo no âmbito europeu no que toca a Inclusão de pessoas com e sem deficiência no meio artístico, apresentando a público trabalhos de grande qualidade, reconhecidos pelo público e pela crítica especializada. Atualmente o Dançando com a Diferença é, sem dúvida alguma, internacionalmente aclamado como um dos grupos que mais têm contribuído para o reconhecimento das capacidades estético-artísticas de uma companhia que tem no seu elenco pessoas com e sem deficiências.

Nunca agindo e trabalhando de forma infundada e inconsequente, está na gênese deste grupo a afirmação de uma postura de poder contribuir para a modificação da imagem social das pessoas com deficiência, aliando esta sua condição às artes performativas e apresentando ao público, de forma a confrontá-lo com esta realidade. No seu repertório estão 21 espetáculos de diferentes coreógrafos.

Datas:
– 19 de junho – 20h
– 20 de junho – 15h e 20h
Local: Teatro Basileu França (Av. Universitária, 1750, St. Universitário)
Custo da Entrada: Gratuita

 

Apoios:

O Projeto Dançando com a Diferença: Arte, Inclusão e Comunidade é um projeto contemplado pelo Fundo de Arte e Cultura do Estado de Goiás.
O grupo Dançando com a Diferença é uma estrutura financiada pela República Portuguesa através da Direção Geral das Artes; pelo Regional da Madeira através da Secretaria Regional de Educação e pela Secretaria Regional do Turismo e Cultura.
Neste projeto participará o núcleo dos Dançando com a Diferença em Viseu, uma estrutura apoiada pelo Dançando com a Diferença, Teatro Viriato e pelo Conselho Local de Acção Social de Viseu.

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