Torturas da PIDE convertidas em trilogia

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Torturas da PIDE convertidas em trilogia

A Estátua – A Tortura Preferida pela PIDE e Caminhos de Liberdade são as duas primeiras obras da trilogia do ex-lutador antifascista José António Pinho, que serão apresentadas no próximo dia 27 de Janeiro, sexta-feira, no Funchal. A sessão decorre pelas 18:30 horas, no Centro Cultural Anjos Teixeira.

– A Estátua – A Tortura Preferida pela PIDE

O livro, baseado em factos reais, caracteriza politicamente os anos de 1958 e 59, registando memórias fundamentais para a construção da nossa identidade colectiva. São narrados 40 dias vividos nas masmorras da polícia política, em Coimbra, sete deles de autêntica tortura. Este é um testemunho da relação com os agentes da PIDE, do medo, do pânico, da alucinação, do desejo de morrer e da tábua de salvação que permitiu não denunciar, escrito em «palavras de lágrimas, de sangue e de amor».

Nas palavras do autor, esta é uma «singela homenagem a todos aqueles que, sem nome, viveram e lutaram por sonhos de liberdade».

– Caminhos de Liberdade

Em Caminhos de Liberdade, o autor narra uma história romanceada, baseada em factos reais desenrolados nos anos de 1959 e 1960. O Forte de Peniche, a prisão mais sinistra do fascismo de Salazar, é dado a conhecer por intermédio de dois jovens de 19 e 24 anos.

O drama de um deles, católico praticante, na envolvência do terrível sistema prisional, do seu relacionamento e confrontação com o Padre Bastos, dos amores com Cristina, as dúvidas, as interrogações e a convivência com a sua nova família comunista são descritos com palavras eloquentes, fortes e verdadeiramente desesperantes.

O conhecido Forte de Caxias, onde milhares de portugueses foram encarcerados e torturados, surge na obra com os seus longos corredores cheios de trevas e de portas de ferro, o dia-a-dia de homens humilhados e sovados que, com as suas lutas e canções, não desistiram de lutar e de proclamar bem alto os seus ideais democráticos e libertadores.

Todos os horrores vividos nestes antros tenebrosos do fascismo salazarista são convertidos pelo autor em caminhos de esperança, camaradagem, amor e liberdade.

Natural de Melo (Gouveia), José António Pinho entrou nos caminhos das lutas democráticas e antifascistas aos 18 anos, ao encontrar o general Humberto Delgado. Esteve detido em várias prisões civis e militares durante o Estado Novo.

Desenvolveu grande actividade política ao lado do escritor António Alçada Baptista, nas pseudo-eleições de 1969, apresentando-se, em 1973, nas listas do MDP-CDE como candidato pelo círculo de Castelo Branco à Assembleia Nacional. Foi militante do PCP entre 1958 e 1982.

Vive na Covilhã desde a infância, onde actualmente desenvolve a sua actividade empresarial e de dirigente associativo.

 

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